Por Yris03 Jul,2026Você abre o chat da Shopee de manhã e vê a mesma mensagem pela terceira vez: "A taxa das blusinhas voltou? O preço subiu." Do lado, uma notificação do AliExpress: outro comprador quer saber se o ICMS também foi retirado. E no WhatsApp, mais uma: "Vi no TikTok que a taxa acabou, mas na hora de pagar continua caro. Como assim?"
Se você vende em plataformas internacionais e já passou por isso nos últimos meses, sabe exatamente do que estamos falando.
A taxa das blusinhas foi retirada em 12 de maio de 2026, por Medida Provisória (MP nº 1.357/2026) assinada pelo presidente Lula. Mas a história não termina aí — e é justamente a confusão em torno do que mudou (e do que não mudou) que está gerando uma enxurrada de perguntas no atendimento ao cliente.
Neste artigo, você vai entender exatamente o que mudou, o que continua valendo e — o mais importante — como responder às perguntas mais frequentes dos compradores sem perder tempo respondendo a mesma coisa 50 vezes por dia.
O que é a taxa das blusinhas e quando acabou?
A chamada "taxa das blusinhas" era o imposto de importação de 20% cobrado sobre compras internacionais de até US$ 50, criado em agosto de 2024 dentro do programa Remessa Conforme. Atingia diretamente plataformas como Shein, Shopee e AliExpress.
Em 12 de maio de 2026, o governo federal zerou esse imposto. A medida entrou em vigor no mesmo dia.
Na prática: compras internacionais de até US$ 50 realizadas em plataformas do Remessa Conforme deixaram de pagar o imposto federal de 20%.
Atenção: o ICMS (imposto estadual) continua sendo cobrado normalmente, com alíquotas de 17% a 20% dependendo do estado.
Resumo: a taxa das blusinhas acabou na parte federal, mas o ICMS segue.
O que mudou para o comprador (e por que ele está confuso)
Antes da mudança, uma compra de US$ 50 podia chegar a US$ 72,29 (com 20% de imposto de importação + 17% de ICMS). Agora, a mesma compra fica em aproximadamente US$ 60,24 — apenas o ICMS incide.
Fonte: g1 (https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/05/13/fim-da-taxa-das-blusinhas-o-que-muda.ghtml), publicado em 13/05/2026.
Na ponta do lápis, um produto que custava cerca de R$ 354 pode passar a custar cerca de R$ 295. Uma diferença real no bolso — mas que nem sempre aparece de forma clara no checkout da plataforma.
E é aí que começa o problema para o vendedor: o comprador vê manchetes dizendo que "a taxa acabou", mas na hora de fechar o pedido ainda aparece uma cobrança de imposto. Ele não sabe que é o ICMS, não sabe que é estadual, não sabe que é diferente. E a primeira pessoa que ele cobra de resposta é você, vendedor.
As 5 perguntas que todo comprador está fazendo (e como responder)
Aqui está o que realmente importa para o seu atendimento. Cada pergunta abaixo reflete uma busca real de consumidores brasileiros nas últimas semanas — e corresponde a palavras-chave que estão com alto volume de pesquisa no Google.
1. "A taxa das blusinhas vai voltar?"
Essa é a pergunta mais frequente. E faz sentido: a mudança foi feita por Medida Provisória, que precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional em até 120 dias (prazo-limite: 24 de setembro de 2026). Se não for votada, a taxa de 20% pode ser restabelecida.
Como responder ao comprador:
"A taxa das blusinhas foi retirada pelo governo federal em maio de 2026, mas a medida ainda precisa ser aprovada pelo Congresso até setembro. Até lá, a isenção do imposto federal de 20% segue valendo normalmente para compras de até US$ 50 no Remessa Conforme."
Dica: se você tem compradores recorrentes, vale deixar essa informação fixa na descrição do produto ou na mensagem de boas-vindas do chat.
2. "A taxa das blusinhas foi retirada de verdade ou ainda tem imposto?"
O comprador viu "a taxa acabou" mas continua vendo cobrança no checkout. A confusão é legítima.
Como responder:
"O imposto federal de 20% (a chamada taxa das blusinhas) foi zerado. Porém, o ICMS — que é um imposto estadual — continua sendo cobrado, entre 17% e 20% dependendo do seu estado. Esse imposto não é novo e já era cobrado antes. A diferença é que o preço final deve estar menor agora."
3. "Taxa das blusinhas Haddad: o que ele tem a ver com isso?"
Sim, compradores estão pesquisando isso. O imposto foi criado na gestão de Fernando Haddad à frente do Ministério da Fazenda, e o nome dele aparece nas buscas porque ele se posicionou publicamente contra a revogação.
Como responder: você não precisa responder a essa. É uma pergunta de cunho político que não afeta a compra. Se o comprador insistir, diga apenas:
"A mudança na tributação é uma decisão do governo federal. O importante para sua compra é que o imposto federal de 20% foi zerado e apenas o ICMS estadual segue sendo cobrado."
4. "A taxa das blusinhas quando acaba de vez?"
Outra pergunta comum, porque a MP tem prazo de validade. O Congresso precisa aprovar a medida até 24 de setembro de 2026 para que a isenção se torne definitiva.
Como responder:
"A isenção já está valendo desde 13 de maio de 2026. Para se tornar definitiva, o Congresso Nacional precisa aprovar a Medida Provisória até setembro. Enquanto isso, o imposto federal de 20% permanece zerado para compras de até US$ 50."
5. "Quem propôs o fim da taxa das blusinhas?"
Curiosidade do consumidor. O governo federal (Executivo) propôs via Medida Provisória. Uma pesquisa interna do Planalto apontava 70% de rejeição à taxa, segundo reportagem do g1 (https://g1.globo.com/politica/blog/gerson-camarotti/post/2026/05/13/taxa-das-blusinhas-pesquisa-interna-que-apontou-rejeicao-de-70percent-foi-determinante-para-revogacao-improvisada-por-lula.ghtml).
Como responder:
"O governo federal decidiu zerar o imposto por Medida Provisória. A taxa era muito impopular — pesquisas internas do governo indicavam alta rejeição entre os consumidores."
Dica de uso: essa informação é útil para contextualizar o comprador e transmitir transparência. Mas não é necessário entrar em detalhes políticos.
O que não mudou (e o comprador precisa saber)
Nem tudo mudou. É importante comunicar isso com clareza para evitar frustração:
ICMS continua: 17% na maioria dos estados, 20% em dez estados (incluindo Minas Gerais, Rio de Janeiro e outros). Fonte: g1 (https://g1.globo.com/economia/noticia/2026/05/13/taxa-das-blusinhas-veja-quanto-cada-estado-cobra-em-icms-na-importacao-aliquotas-variam-de-17percent-a-20percent.ghtml), publicado em 13/05/2026.
Compras acima de US$ 50: continuam pagando 60% de imposto de importação + ICMS.
Remessa Conforme continua obrigatório: a isenção só vale para plataformas certificadas (Shein, Shopee, AliExpress, entre outras).
Compras anteriores à mudança: quem comprou antes de 12 de maio continua pagando as regras antigas. Não há devolução ou compensação.
O problema é que responder manualmente a mesma pergunta dezenas de vezes por dia — na Shopee, no AliExpress, no WhatsApp, no Instagram — é insustentável. E cada mensagem sem resposta ou com resposta demorada impacta sua reputação na plataforma.
Informação preventiva na descrição do produto. Se 80% das perguntas são sobre imposto, coloque um parágrafo curto na descrição: "Após a retirada da taxa das blusinhas, compras de até US$ 50 pagam apenas ICMS (17%-20% conforme o estado). O preço exibido no checkout já inclui esse imposto."
Automação para o canal certo. Se suas perguntas chegam por WhatsApp, ML, Shopee e AliExpress ao mesmo tempo, ter que alternar entre telas é o que mais consome tempo — não a resposta em si.
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A taxa das blusinhas vai voltar se o Congresso não aprovar?
Sim, a Medida Provisória precisa ser aprovada pelo Congresso em até 120 dias (prazo-limite: setembro de 2026). Caso não seja votada, o imposto federal de 20% pode ser restabelecido automaticamente.
Compras acima de US$ 50 continuam pagando imposto?
Sim. Compras entre US$ 50 e US$ 3.000 continuam com imposto de importação de 60%, mais ICMS estadual. A isenção vale apenas para compras de até US$ 50.
A taxa das blusinhas acabou em todos os estados?
O imposto federal foi zerado em todo o território nacional. Mas o ICMS é estadual e varia de 17% a 20% conforme o estado de destino da encomenda. Dez estados elevaram a alíquota para 20% em abril de 2025.
Quem propôs o fim da taxa das blusinhas?
O governo federal, por Medida Provisória (MP nº 1.357/2026) assinada pelo presidente Lula em 12 de maio de 2026. O imposto original havia sido criado na gestão do ex-ministro Fernando Haddad no Ministério da Fazenda.
O preço na plataforma já deveria ter diminuído?
Especialistas consultados pelo g1 afirmaram que o efeito tende a ser imediato, com plataformas ajustando o cálculo no checkout. Porém, o ICMS continua sendo cobrado, então o preço não cai a zero de imposto — apenas o federal de 20% foi removido.

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